Perto de 70 pesoas compareçeram à chamada, apesar dos avisos de chuva(não imagino se estivesse sol). Esta afluência, leva-me a ponderar diferentes formas de organizar as actividades futuramente. Bom sinal,...a malta gosta da natureza. Na verdade, ainda mais do que a paixão pelo contacto com a natureza, o que mais me toca, é a experiência colectiva. A cumplicidade inerente que se estabelece entre pessoas que não se conheciam, e em poucos minutos se entreajudam, riem ou choram juntas.
Começámos a andar com tempo sêco até a primeira cascata, aí caíram os primeiros pingos. Para ver a cascata foi preciso fazer fila, de tantos que éramos. E lá seguimos para a serra. No Vale das Traves almoçámos e começou a chover mesmo a acabar, do tipo chuva certinha e encobrindo as incríveis paisagens deste vale. Aqui, o guia deu a escolher aos caminheiros, entre continuar para a serra e as outras cascatas, ou regressar em círculo directamente de volta à aldeia de partida. Tomada de decisão difíçil, pois ninguém quer desistir depois de ter chegado ali. Mas a serra molhada, não é como a serra sêca, é necessário mais cuidado e equipamento impermeável. Finalmente o grupo dividiu-se, uns para a frente e outros para a aldeia. E lá seguiu um grupo ainda assim considerável, serra adentro. Atravessámos ribeiros e seguimos por um trilho estreito, de subida muito gradual, até que uma simpática caminheira teve o azar que não desejo a ninguém e que finalmente aconteceu nestas actividades. Penso que um músculo lesionado, contraíu e provocou-lhe dores suficientes para não conseguir pôr o pé no chão. Sempre a chover, algo que nunca deixou de ser, parámos cerca de 30m para assisti-la e decidir como transportá-la. Maca improvisada, com paus e cordas, ligadura, analgésico, e muita camaradagem, conseguiram deslocar a Ana, que vinha ao Mundo da Alma pela primeira vez. O sítio do trilho onde se lesionou, não permitia voltar para trás , seguimos para a frente, e depois de ter confiado o Gps a um membro do grupo, que o levou de volta pela serra até a aldeia, voltei para os cerca de 6 que permaneciam com a Ana, e foram muito lentamente progredindo, pé ante pé, até o ponto onde poderia recolhe-los com o jipe . Tudo acabou bem. Parabéns Ana. O teu espírito guerreiro foi bom de ver.
Depois de ter emprestado 4 impermeáveis aos que não tinham, acabei o dia completamente ensopado, até aos ossos. Soube bem o banho quente.
Agradecimento especial aos veteranos do Blog Pegada e Bota e No gerês cujos links podem encontrar à direita, cujo auxilio foi precioso.Obrigado.
Em suma: Mais uma vez ,a chuva compareceu, a um trilho que tem vistas fantásticas. Paciência. Mas mais uma vez, ninguém nos retira o prazer de ter passado um dia com esta família que está a aumentar, e que promete conviver por muitos e bons anos, nas bonitas alturas do Mundo da Alma.
O meu coração não cabe aqui. Tenho de o esvaziar às prestações. Aquele abraço a todos e cruzem os dedos para que o sol brilhe intensamente na próxima.









